10 de agosto de 2019 – quarta aula de Vegetoterapia I

O Pedro iniciou essa aula fazendo uma pequena revisão sobre os segmentos corporais, falando um pouco sobre as localizações, as superposições, as relações dos segmentos com alguns tipos de caráter e a relação dos segmentos uns com os outros (o corpo não é fragmentado; e eu interpreto que mesmo essa divisão em segmentos, que segundo o próprio Pedro não é encontrada no texto reichiano, não pode ser interpretada como algo objetivamente detectável na constituição física, mas mais como uma metáfora do funcionamento da relação soma psiquê). Reforçou a ideia de que as pessoas nascem com um quantum energético que não se altera durante a vida; esse é outro ponto que não consigo entender como as pessoas que trabalham com esse paradigma da energia conseguem manter em relação com outros pressupostos reichianos, e mesmo com o que dizem observar da realidade. Continue reading

10 de agosto de 2019 – quarta aula de Análise do Caráter II

Nesse dia, como de costume, eu deixei para passar no banco e sacar o dinheiro para pagar o curso no deslocamento da Central (ou Passeio, como foi o caso) até o IFP, pois tem um Banco do Brasil pouco antes do Largo do Machado. Mas quando cheguei na porta da agência ela não abria, e uma pessoa me avisou que no sábado somente a partir das 08h – eram cerca de 07:50. Eu poderia esperar, mas como estava com muita vontade de ir ao banheiro, pensei que poderia ir até o IFP logo, pois o Pedro costuma chegar cedo, iria no banheiro, deixava a pesada mochila lá e voltava até o banco. Infelizmente a primeira aula era do Marcus Vinícius que, diferente do Pedro, não tem o hábito de chegar antes no Instituto, então acabou que eu preferi ficar sentado lendo, aí as pessoas foram chegando e somente quando o Marcus Vinícius chegou é que fui ao banheiro e depois ao banco. Por conta disso perdi o início da aula, mas como deixei o gravador com o Bernardo e ele o ligou, não perdi o conteúdo. Como de costume, nessa aula o Marcus Vinícius distribuiu mais uma parte do seu texto descrevendo alguns caracteres, e para a aula desse dia trabalhos os caracteres Impulsivo e Esquizofrênico. Continue reading

14 de julho de 2019 – terceira aula de Técnicas Complementares do Trabalho Reichiano

Ao iniciar a aula, o Pedro anunciou que iríamos trabalhar com uma técnica da Biodinâmica, que atualmente possui um desdobramento da Psicorgânica, criada por Peter Boysen, filho da Gerda Boysen, criadora da Biodinâmica. Para isso, ele fez uma introdução contextualizando a Biodinâmica a partir de algumas informações que detinha e de trechos do livro “Entre a Psiquê e o Soma – introdução à psicologia biodinâmica” de Gerda Boyesen.
Reich chega à Noruega, aonde Gerda Boyesen vai se formar, em 1964. Após uma intervenção de Gerda em uma conferência de Ola Raknes (em uma época em que as mulheres não falavam em público), aonde criticou a fala de um estudante de direito que defendia a educação tradicional, chamou a atenção de Ola Raknes e foi convidado por ela para a formação. Deu alguns detalhes que Gerda passa sobre seu processo terapêutico no livro. Ela trabalha no instituto Bülow-Hansen, de fisioterapia, e através do cruzamento dessas referências vai criando e construindo a sua teoria e método terapêutico. Seu trabalho se relaciona com a peristalse e o que chama de “pontos-chave”, que são pontos em que, ao massagear uma pessoa, haverá aumento da atividade peristáltica – esses pontos variam entre os indivíduos, não há uma regra a ser seguida, e por isso no trabalho da massagem biodinâmica se utiliza o estetoscópio, que guiaria a terapeuta no trabalho de massagem através dos sons da peristalse. Gerda Boyesen classifica os seguintes tipos de som: trovão/rugido; riacho encantado; sons aquáticos; barulho de vento; barulhos mecânicos/metralhadora; porta rangendo.
Para fazer o trabalho, então, a primeira coisa que fizemos foi criar uma extensão para os estetoscópios – no meu, que ganhei de voinha de um kit velho de aparelho de pressão, eu utilizei um garrote fino com um tubo interno de alguma caneta para unir, e funcionou bem. Depois, posicionamos o ressonador do estetoscópio na região dos intestinos da pessoa, utilizando a barra da calça (ou cueca, calcinha, short…) para mantê-lo no lugar. A partir daí, vamos escutando e massageando o corpo da pessoa em diferentes regiões, sempre mantendo o foco no som; havendo alteração do som, a ideia é continuar a trabalhar naquela região com a massagem, até que o som que se ouve se torne constante ou então haja uma mudança nesse som. A ideia é que a massagem estimule uma suposta “peristalse emocional”, trabalhar uma couraça mais sutil do que a muscular, uma “couraça tissular” – um resíduo tóxico que se acumula nas células, segundo o Pedro.
Uma observação que foi comum em todas as pessoas foi como o barulho do tubo batendo e se movendo atrapalhava inicialmente o exercício; até que se encontrasse uma posição confortável para a massagem, a nossa movimentação produzia muito movimento e esse, por sua vez, muito barulho. Outra impressão comum foi como os estetoscópios mais baratos, como o meu, machucam os ouvidos com esse uso prolongado.
Em um momento rolou novamente a conversa atravessada pelo uso do termo e conceitos de física quântica, extrapolando (sempre) a ideia de entrelaçamento quântico para “quando você pensa numa pessoa e ela liga pra você”… Tentando ser intelectualmente honesto, claro que eu não tenho conhecimentos para dizer que não acontece uma troca de energia entre uma pessoa que pensa em alguém e a pessoa que é pensada – mas as pessoas que afirmam que isso acontece possuem muito menos indícios para fazê-lo, e o fazem tanto sem pudor algum, quanto caminham para o pseudo-cientificismo ao buscar se apropriar de conceitos científicos sem dar a mínima para o método. Conhecimento científico e metodologia científica são indissociáveis, um não faz sentido sem o outro; então usar conceitos científicos, obtidos a partir de uma metodologia, para apoiar hipóteses que passam ao largo dessa mesma metodologia, não é algo aceitável. É como se alguém dissesse, antes da descoberta do processo de evaporação, “pessoas podem virar uma nuvem de vapor”, aí anos depois o processo de fervura e evaporação é descoberto, aí aquela pessoa diz “Viram? Isso prova o que eu disse sobre pessoas poderem virar uma nuvem de vapor”. Toda a crise envolvendo as primeiras descobertas da mecânica quântica, segundo Fritjof Capra, envolve justamente o problema de as “Leis” que funcionam na mecânica clássica não se aplicarem na mecânica quântica, e vice-versa; ou seja, não é porque tudo é feito de átomos, que são feitos de partículas sub-atômicas, que o que se aplica a essas partículas se aplicam àquilo constituído por elas – nas relações novas variáveis se inserem e “as regras mudam”. De forma leviana, podemos afirmar que os átomos são majoritariamente espaço vazio; mas isso não nos permite dizer, mesmo de forma leviana, que as coisas se atravessam, simplesmente porque olhamos em volta e percebemos que isso não acontece. Então o entrelaçamento quântico, processo ainda em estudo e debate no meio científico, não pode ser usado para justificar transmissão de pensamento ou qualquer coisa que o valha – ao menos, não deveria.

13 de julho de 2019 – segunda e terceira aulas de Vegetoterapia I

  O Pedro iniciou essa aula fazendo uma rápida recapitulação do encontro anterior, em que falamos de couraças, que segundo ele ele teriam como principal caraterística o contraste entre as correntes vegetativas (quando a couraça se desfaz) e o encouraçamento. Reich, no Análise do Caráter, começa definindo as couraças como psíquicas, que seriam parte constituinte do caráter; mas ele foi percebendo que esse encouraçamento psíquico correspondia a um encouraçamento fisiológico também, o que no seguimento da sua teoria o leva a entender que esse encouraçamento se relaciona com as estases de energia também. Um bloqueio psíquico corresponde a um bloqueio somático. “Uma das formas mais encontradas de bloqueio é através da contração muscular – ao contrair os músculos de forma inconsciente diminui o fluxo dos líquidos e limita a capacidade respiratória e, portanto, diminui a produção energética”. Depois ele pediu que as pessoas trouxessem exemplos de correntes vegetativas, e apareceram como exemplos o peristaltismo, o arrepio de um calafrio, o orgasmo, o suspiro profundo, o bocejo, mudança de cor de pele, tosse sem motivo fisiológico, reflexo do vômito, coceira, sensação de agulhas no pé, eriçamento dos pelos, tremores. Continue reading

Sobre a discussão de epistemologia na aula de Análise do Caráter II

  Durante a terceira aula de Análise do Caráter II, que aconteceu no dia 29/06/19, surgiu um ponto muito interessante (que acabou se tornando uma questão bem desgastante para mim) a partir da seguinte pergunta: “Nessa linha do homossexual, heterossexual… e o assexual?”. No momento em que eu ouvi essa pergunta fiquei mais atento, pois essa é uma questão sobre a qual eu já havia pensado; tendo conversado com pessoas que se entendem como assexuais, eu percebi que essa é uma questão que expõe um limite, se não de toda a psicanálise, ao menos da teoria reichiana. Continue reading

30 de junho de 2019 – Segunda aula de Técnicas Complementares do Trabalho Reichiano

  Nessa aula, o Pedro trouxe algumas lanternas para fazermos os trabalhos desse encontro em cima dessa técnica; eu estava um pouco curioso para ter contato com isso, pois é uma coisa que ouço muito comentário quando o assunto são as técnicas de vegetoterapia – é “lanterna isso” pra cá, “lanterna aquilo” pra lá e coisas assim. Basicamente é um trabalho com o segmento ocular que utiliza uma lanterna como ponto focal, facilitando a atenção e acompanhamento desse ponto por parte do paciente; não entendi, assim, o motivo de tantos comentários acerca disso. Não há dúvidas de que é uma técnica interessante, mas me pareceu muito mais um acréscimo de ferramenta na técnica de pedir que o paciente olhe para cá, para lá, acompanhe o dedo do paciente e coisas assim do que uma nova técnica – novamente, ficou claro para mim que a inclusão da lanterna potencializa e faz todo o sentido com esse trabalho, minha questão é mais com as pessoas falando disso, “a lanterna”, “o trabalho com a lanterna”, como se fosse uma coisa muito avançada ou completamente nova. Foi excelente ter uma aula dedicada a isso, assim pudemos experimentar o trabalho e perceber quais as dificuldades e potências que ele trás. Continue reading

29 de junho de 2019 – segunda e terceira aulas de Análise do Caráter II

  Depois de um momento inicial ocupado com a distribuição um tanto vagarosa das folhas com o texto que serviria de base para as nossas aulas, o Marcus Vinícius iniciou reforçando a ideia de que a tipologia de caracteres apresentada por Reich no livro Análise do Caráter não é uma tipologia fechada mas, ao contrário, uma tipologia aberta – tendo o Reich inclusive dito que “haverá tantos caracteres quantos a sociedade puder produzir” e ter descrito um caso que relata no livro como “Caráter Aristocrático”, uma clara invenção em relação à dinâmica particular do paciente em questão. Ressaltou também que é “super complicada” a ideia de utilizar o caráter como uma “etiqueta” que se coloca no paciente e, assim, nunca se altera; de certo que há uma permanência na estrutura, mas mesmo limitada a vida possui mudanças, o caráter seria, assim, não uma estrutura imóvel ou com pouca mobilidade, mas uma estrutura que dá algum grau de consistência e durabilidade mas existe um funcionamento, um movimento – o caráter como um “modo de existir” de cada paciente. Achei muito adequada e importante essas colocações, pois vejo a tendência justamente para o lado oposto, das pessoas muito preocupadas em rotular, em entender qual é o caráter a partir de qualquer ínfimo detalhe; por vezes até em professores vejo esse comportamento. Continue reading

12 de maio de 2019 – primeira aula de Técnicas Complementares do Trabalho Reichiano

Iniciamos a disciplina com uma discussão sobre como vai funcionar o curso, pois ele vai gerar algumas necessidades materiais; o Pedro falou em duas coisas: o estetoscópio e a lanterna. Em relação ao estetoscópio, seria necessário fazer-lhe uma extensão, pois precisaríamos nos movimentar enquanto utilizamos o aparelho para escutar os sons do segmento abdominal do paciente, dos intestinos; mas, segundo o Pedro, essa modificação de extensão não é permanente, pode-se adaptar uma mangueirinha de chuveiro como extensão e isso seria facilmente reversível depois. Em relação à lanterna surgiu uma dificuldade pois parece que é difícil encontrar uma lanterna com o foco de luz pequeno, geralmente as lanternas atuais são de LED e com um foco grande; eu propus que construíssemos a nossa própria lanterna, então, usando um LED de alto brilho e uma bateria, talvez adicionando um trimpot de 1k para controlar o brilho, e combinamos de tentar fazer uma oficina lá mesmo no IFP para construirmos em conjunto essas lanternas. Continue reading

11 de maio de 2019 – primeira aula de Análise do Caráter II

Iniciamos essa aula com o Marcus Vinícius distribuindo um texto (pelo que entendi de sua autoria), com um resumo sobre dois tipos de caráter, o Histérico e o Fálico-Narcisista; para cada um desses caracteres, haviam quatro subitens: características psicorporais; etiologia; dinâmica interna; projeto terapêutico. O Marcus Vinícius informou que a ideia da aula é irmos lendo o texto e, a partir dessa leitura, trazer questões, levantar pontos e pedir esclarecimentos. Depois disso ele fez o que chamou de “pequena introdução”, relembrando coisas da primeira parte do Análise do Caráter, que supostamente estudamos em Análise do Caráter I. É nessa parte do livro, segundo o Marcus Vinícius, que Reich vai trazer alguns conceitos sobre como se forma um caráter, sobre as resistências e as defesas; na disciplina Análise do Caráter II, que coincide com a segunda parte do livro, vamos estudar os tipos de caráter da tipologia reichiana, ou seja, como Reich observa os vários tipos de caráter que podem vir a existir e caracteriza, sob o ponto de vista da manifestação, da dinâmica, da etiologia, ele vai caracterizando esses caráteres, não de uma forma didática mas, ainda assim, de uma forma compreensível do modo do Reich operar sobre esses caráteres e o modo como ele vê cada caráter. Assim, a nível de bibliografia a base será a parte II do “Análise do Caráter”, “O Corpo em Terapia” de Alexander Lowen e “Labirinto Humano” de Elsworth Baker. Continue reading

11 de maio de 2019 – primeira aula de Vegetoterapia I

Nesse curso, que será ministrado pelo Pedro Castel, iremos estudar conceitos que trabalham com a parte corporal da teoria reichiana, mas o enfoque das aulas será prático, fazendo trabalhos e embasando-os com a teoria. A bibliografia do curso será: os três últimos capítulos do livro “A Função do Orgasmo” de Reich (A Irrupção no Campo Biológico; O Reflexo do Orgasmo e a Técnica da Vegetoterapia da Análise do Caráter; Da Psicanálise à Biogênese) e um artigo do próprio Pedro chamado “Massagem Reichiana”, disponível no site do IFP.

Pedro iniciou o conteúdo definindo neurose: “o conflito entre a pulsão e a nossa repressão. Para Freud, esse conflito era apenas psíquico, mas para Reich ele vai ter um ancoramento fisiológico. Disso surge a ideia de couraça biofísica: o somático tem uma influência no psíquico, mas o psíquico também tem uma influência no somático – ambos estão funcionalmente entrelaçados, quando algo acontece em um campo existe um reflexo no outro”. Ainda segundo o Pedro, há um entendimento equivocado desse fenômeno por algumas interpretações da psicossomática; a ideia de que, por exemplo, uma gripe foi causada por uma tristeza, é um exemplo dessa relação equivocada, como uma causa e efeito direta. Continue reading