13 de março de 2020 – quinta aula de Clínica Psicorporal das Psicoses e dos Transtornos Mentais

Essa aula teve um arranjo especial, pois o Henrique estava muito gripado, então ele sugeriu que transferíssemos a aula para um outro momento, pois ele havia pensado uma aula com trabalhos corporais (e estávamos no início do “levar a sério” por parte da sociedade em relação à pandemia de SARS-CoV-2/COVID-19), mas que também poderia seguir normalmente a aula caso a turma assim desejasse. A opção de adiar a aula era ruim para algumas pessoas, que haviam vindo de longe apenas para aquela aula (eu, embora também viesse de longe, não estava bem naquele dia e teria aproveitado bem o adiamento), mas também estava claro que insistir numa aula, qualquer que fosse o modelo, com o Henrique debilitado como estava não seria produtivo para ninguém. Assim, decidimos por fazer uma aula reduzida nesse dia, deixando a ideia do trabalho corporal para o próximo encontro e buscando marcar um encontro final para podermos fazer o fechamento do curso. Continue reading

08 de fevereiro de 2020 – terceira e quarta aulas de Vegetoterapia II

Seguindo o esquema de janeiro, aonde tivemos aula dupla de Análise do Caráter III, agora em fevereiro tivemos aula dupla de Vegetoterapia II. Assim, a Denise iniciou explicando que nessas duas aulas trabalharíamos quatro segmentos: cervical, torácico, diafragmático e abdominal. A partir disso, ela trouxe uma ideia de que haveriam pares funcionais de segmentos de couraça, um conceito criado por Blanca Rosa. O segmento ocular faz par com o segmento abdominal, que “faz a correlação da gestação do bebê com o olhar da mãe e todas as sensações intra-uterinas”; o segmento oral faz par com o segmento pélvico, “que é o lugar do desejo, no bebê, é na amamentação que você estabelece a possibilidade de ser um bom ou uma boa amante, a relação da sucção com o desejo, da experiência do prazer, inclusive uma questão física da articulação pélvica com a articulação mandibular tem uma funcionalidade”; o segmento cervical faz par com o diafragmático, “que está muito ligado à questão da entrega, o controle e a entrega, que é muito importante para o reflexo do orgasmo, assim como a língua, que está ligada ao segmento cervical e tem relação com o engolir”; o segmento torácico seria ímpar, que é onde estão muitos dos órgãos de funções vitais, como o coração e os pulmões. Continue reading

07 de fevereiro de 2020 – quarta aula de Clínica Psicorporal das Psicoses e dos Transtornos Mentais

Iniciamos essa aula com o Henrique trazendo a questão dos transtornos e da medicalização gerada pela criação dos mesmos; ele trouxe o exemplo do transtorno histérico, que seria o mesmo que a histeria descrita por Freud, e que até então não requeria um tratamento medicamentoso; mas, com a criação de um transtorno, passa a ser possível e recomendado que o tratamento dessa questão seja feita com remédios. A discussão sobre a questão da histeria também foi discutida a partir da perspectiva do machismo estrutural, de como a nossa sociedade machista e patriarcal coloca um peso de restrições, regras e interditos sobre a sexualidade feminina. Novamente foi colocada a ideia de como a proposta freudiana representa um avanço no tratamento que se dava às pessoas em sofrimento psíquico, em especial às mulheres entendidas como histéricas; antes, essas pessoas eram submetidas a internações, banhos gelados, clausura, imobilizações e até mesmo lobotomia; com o surgimento do tratamento psicanalítico se possibilita entender essa pessoa como um indivíduo portador de cidadania como todos os outros, mas que está enfermo e precisa de tratamento, um tratamento que não necessita alterar-lhe o status de pessoa, um tratamento que se realiza pela fala e pelo resgate da história do indivíduo. Continue reading

25 de janeiro de 2020 – terceira e quarta aulas de Análise do Caráter III

Como a Denise não poderia dar a aula de Vegetoterapia II hoje, foi feito o esquema de “dobra”, já realizado em semestres passados: em um mês são dadas duas aulas do curso A, pegando a manhã e a tarde do sábado, e no mês seguinte são duas aulas do curso B, no mesmo esquema. Assim, agora em janeiro tivemos duas aulas de Análise do Caráter III, e em fevereiro teremos duas aulas de Vegetoterapia II.

O Pedro iniciou anunciando que trabalharia o capítulo XIV do livro Análise do Caráter, chamado “A Linguagem Expressiva da Vida”, do qual já havia sido pedida a leitura pela Denise, para a aula anterior de Vegetoterapia II; isso foi bom para mim pois já cheguei na aula com o texto lido, fichado e relido, ajudando bastante a acompanhar a leitura e explicações sobre o texto que o Pedro fez. A exposição dele inicia com um contexto histórico, falando da ascensão do Nazismo na Europa, da saída de Reich da Associação Psicanalítica Internacional, das apresentações e publicações de seminários e artigos de Reich que acabaram por constituir a terceira parte do Análise do Caráter (só entrando na terceira edição do livro), de como o trabalho de Reich foi passando pelas suas três fases (Análise do Caráter, Vegetoterapia, Orgonomia) mas sem nunca abandonar a sua ligação com a psicanálise, os estudos de Reich sobre o potencial bioelétrico da pele, sua teoria dos bions e o desenvolvimento da orgonomia e da orgonoterapia, trazendo o exemplo que sempre trás do uso que Reich fazia do microscópio, aumentando a magnificação da imagem às custas na nitidez mas ainda permitindo a observação do movimento. Continue reading

24 de janeiro de 2020 – terceira aula de Clínica Psicorporal das Psicoses e dos Transtornos Mentais

Nessa aula o Henrique trouxe a proposta de discutirmos a esquizofrenia e os transtornos mentais. Segundo ele, muitos reichianos afirmam que é complicado trabalhar com a esquizofrenia, pois a teoria reichiana se desenvolveu em cima da neurose, então não haveria muito subsídio teórico para o trabalho corporal com indivíduos esquizofrênicos. Então, uma coisa que achei necessária após a aula foi recorrer aos dicionários e vocabulários de psicanálise para conseguir definições de esquizofrenia, e o que encontrei foi o seguinte: Continue reading

21 de dezembro de 2019 – segunda aula de Vegetoterapia II

  A Denise iniciou anunciando que a aula seria sobre os dois primeiros segmentos, o ocular e o oral, e que somados ao cervical foram o grupo de segmentos ligados à vinculação, ao estabelecimento do vínculo. Segundo ela, a principal função do segmento ocular (que, vale lembrar, abrange o topo da cabeça, toda a parte de trás da cabeça até próximo do início do pescoço, o nariz e as orelhas) seria o contato, tanto com o mundo quanto com “o outro”, assim como o seu contrário, a dissociação. Esse é mais um ponto que mostra que faz bastante sentido a indicação de Federico Navarro de que o processo terapêutico na vegetoterapia sempre inicie pelo segmento ocular, pois assim terapeuta e paciente criarão o vínculo terapêutico ao mesmo tempo que se trabalha a dissolução ou afrouxamento da couraça ocular que impediria esse contato. Continue reading

21 de dezembro de 2019 – segunda aula de Análise do Caráter III

  Como esqueci de levar o gravador para a aula, o colega de curso Lucas Bezerra fez a gentileza de gravar as aulas do sábado em seu celular, o que foi muito útil para que eu possa fazer esses relatos com maior conteúdo e, com isso, revisitar aula e densificar os estudos. Com isso, o Lucas começou a gravação com alguns minutos de aula já transcorridos, e no exato momento que a gravação inicia o Pedro está falando, mais uma vez, do seu entendimento da teoria do “biólogo quântico” Bruce Lipton; dessa vez, no entanto, ele desenvolveu uma analogia que eu achei interessante, embora não saiba ainda avaliar o quão precisa ela é: Continue reading

20 de dezembro de 2019 – segunda aula de Clínica Psicorporal das Psicoses e dos Transtornos Mentais

  Nessa aula nós nos concentramos no livro “Notas Psicanalíticas Sobre um Relato Autobiográfico de um Caso de Paranóia (Dementia Paranoides)” de Freud, aonde o autor vai oferecer uma análise psicanalítica de um paciente que nunca conheceu, Daniel Paul Schreber, através da autobiografia deste, “Memórias de um Doente dos Nervos”. Freud inicia seu texto explicando as dificuldades para o estudo psicanalítico da paranoia, visto que essa condição deveria ser tratada por médicos ligados a instituições públicas, assim os contatos que Freud teve com a paranoia não seria suficientes para a elaboração de conclusões psicanalíticas. Segue fazendo um resumo do livro de Schreber, apontando e citando explicitamente os trechos nos quais baseia suas interpretações. Continue reading

09 de novembro de 2019 – primeira aula de Análise do Caráter III

A maior obra clínica de Reich é o livro Análise do Caráter, que é dividido em três partes; a primeira edição contava com as duas primeiras, enquanto que a terceira foi adicionada posteriormente, assim como alguns comentários e notas de rodapé. O livro é basicamente uma coletânea de artigos que Reich apresentou em diversas conferências, reunidos e modificados para formar um todo coerente sobre a sua técnica psicanalítica, a Análise do Caráter. Seguindo a dinâmica do próprio livro, no IFP existem três cursos sobre o livro, cada um teoricamente lidando com uma das partes dele; Continue reading

09 de novembro de 2019 – primeira aula de Vegetoterapia II

Esse curso foi ministrado pela Denise Dessaune, a única coordenadora com quem eu ainda não tinha tido contato até então (embora ainda não tivesse tido aula também com o Henrique, já tinha contato com ele nas supervisões do CAP). Ela iniciou apresentando o curso como um trabalho sobre a intervenção na couraça muscular, que Reich inicia com a percepção de que apenas o apontamento (através de indicação ou repetição) das atitudes do paciente não era suficiente para tornar consciente essas atitudes de defesa, devido à existência de uma rigidez que não se afrouxava, de onde vem as intervenções diretamente no corpo do paciente, no que Reich denomina “couraça muscular”, que seria um par da “couraça caracterológica”, ambas caminhando juntas no modo de ser da pessoa. Segundo a Denise, é fundamental que o terapeuta reichiano tenha muita atenção a todos os movimentos e sutilizas com que o paciente se apresenta durante a sessão de análise. Continue reading